LITERATURA
– AULA 1
Pré-modernismo
CONTEXTO
O período
literário conhecido como Pré-Modernismo situa-se, aproximadamente, nas duas
primeiras décadas do séc. XX, precedendo o movimento modernista de 22. Na
verdade, o Pré-Modernismo não corresponde a uma escola literária, mas sim a um
confluir de escritores que, não correspondendo a nenhuma das estéticas de fins
do século XIX, tiveram uma produção de impacto, apresentando novas vertentes
estilísticas e/ou temáticas em nossa literatura.
Os
principais autores do período são:
Lima Barreto (1881-1922)
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Lima Barreto (1881-1922)
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Euclides da Cunha (1866-1909)
Monteiro Lobato (1882-1948)
João
Simões Lopes Neto (1865 – 1916)
O Rio de
Janeiro do início do século XX era a capital da recém-proclamada República.
República Velha (1889 – 1930)
O período começa com a
Proclamação da República, liderada pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889. Em
1891, é promulgada a primeira constituição da era republicana.
Também conhecido como
República das Oligarquias, o período foi marcado por governos ligados ao setor
agrário, que se mantinham no poder de forma alternada: a “política do café com
leite”. A quebra dessa troca de governo provocou a Revolução de 1930 e marcou o
fim da República Velha.
Contexto cultural do
Brasil, durante a República Velha
Durante a República Velha, o Brasil experimentava
uma situação de mudança, de transformação. O país começava a abandonar suas
características essencialmente rurais para então experimentar o crescimento dos
centros urbanos do país. No entanto, esse era só o começo da mudança. A grande
maioria da população continuava sem instrução e o debate cultural e artístico
ainda ficava recluso entre as elites econômicas.
Com o fim da escravidão, a República Velha foi
marcada pela chegada de muitos negros que saíram das antigas propriedades em
busca de melhores oportunidades. No Rio de Janeiro, muitos deles se aglomeravam
em cortiços e bairros portuários, organizando comunidades em que, ao mesmo
tempo em que se ajudavam, também experimentavam
manifestações artísticas diversas.
Do ponto de vista histórico, o samba, o maxixe e o
choro ganhavam forma e possibilidade nessa época. Nas chamadas casas das tias,
vários negros e outros elementos da sociedade urbana carioca se reuniam em
festas que já ganhavam o nome de “samba” naquela época. Nas datas festivas, os
músicos populares saíam pelas ruas organizando os chamados “cordões”, que
indicavam uma organização mais simples dos futuros desfiles de escola samba.
Nessa mesma época, vemos que o Brasil também recebeu
um grande número de imigrantes europeus que escapavam da miséria e das
dificuldades impostas pela Primeira Guerra Mundial. Em geral, esses imigrantes
chegaram ao país com o objetivo de ocupar vagas de trabalho nas indústrias que
apareciam nas grandes cidades, tendo em vista que tinham experiência como
operários em sua terra natal.
Junto com o sonho de uma vida melhor em terras
brasileiras, esses imigrantes europeus chegaram por aqui também trazendo os
valores políticos do pensamento comunista e anarquista. Em várias situações,
inconformados com as injustiças de nosso país, disseminavam seus ideais de luta
e contestação em jornais e manifestações públicas. Chegaram ao ponto de
organizarem escolas populares, buscando educar seus filhos segundo seus ideais
políticos.
No campo da literatura e das artes, vemos que alguns
integrantes de nossas elites traziam ao contexto brasileiro as questões
estéticas empreendidas na Europa. Os chamados modernistas se organizavam em
círculos de discussão pensando a identidade própria de nossa cultura. Estavam
cansados do velho hábito de se pensar que o Brasil só se tornaria “culto” e
“civilizado” ao imitar os valores que viesse de fora.
O resultado de toda essa discussão foi a Semana de
Arte Moderna de 1922, ocorrida na cidade de São Paulo. Nesse evento, novos
pintores, escritores e poetas apareceram ao público expondo que o Brasil tinha
uma riqueza cultural própria a ser conhecida e apreciada. Em termos históricos,
o evento indicava que o Brasil não poderia ser mais entendido pelos valores da
Europa ou como um simples celeiro produtor de grãos para o mundo.
É desse modo que vemos as transformações
experimentadas na época da República Velha. Muita coisa ainda deveria mudar, a
grande maioria da população era analfabeta e as manifestações de ordem popular
nem sempre ganhavam prestígio. Por outro lado, o debate sobre “a cara do
Brasil”, da sua cultura, começava a apontar para outros rumos e possibilidades.
Exercício
Por
apresentar uma diversidade de pontos de vista, as obras, em sua maioria, não
apresentam aspectos parecidos para formar uma escola literária.
2 – Por
que o período da República velha é chamado de República do Café com Leite?
3 –
Reflita sobre os seguintes aspectos da sociedade brasileira, entre 1900 e 1920.
a) O meio rural e o meio urbano.
b)
O negro e o imigrante
LITERATURA - Aula 2
Observe
os três quadros e agrupe as afirmações que melhor se aplica a definição de cada
estilo.
Quadro 1 - Pintor Realismo/Parnasianismo
Gustave Coubert - Maçãs vermelhas no pé de uma árvore
Quadro 2 - Pintor Simbolista Odilon Redon
Arcádia Psicodélica
Quadro 3 - Pré-Modernismo.
Pintura de Anita Malfatti - O farol
·
Preocupação
em retratar fielmente a realidade.
· Preocupação
em trabalhar imagem, cor e perspectiva de forma abstrata representando a
confusão do viver e existir
· A
interferência da sociedade e da produtividade humana interfere na organização
da natureza.
·
O urbano
e seus processos de organização são pontos essenciais na produção artística.
·
O olhar
do artista mostra maior criticidade sobre as organizações sociais.
·
Há uma
fuga da realidade para o sentir, buscando refúgio nas emoções, cores e formas,
alienando-se da realidade.
·
A
realidade é concretizada, o autor foge das representações pessoais e busca
deixar o espectador livre para construir suas representações.
Literatura - Aula 3
Leia o texto abaixo, do autor Lima Barreto.
PORQUE NÃO SE MATAVA
Esse meu amigo era o
homem mais enigmático que conheci. Era a um tempo taciturno e expansivo,
egoísta e generoso, bravo e covarde, trabalhador e vadio. Havia no seu temperamento
uma desesperadora mistura de qualidades opostas e, na sua inteligência, um
encontro curioso de lucidez e confusão, de agudeza e embotamento.
Nós nos dávamos desde
muito tempo. Aí pelos doze anos, quando comecei a estudar os preparatórios,
encontrei-o no colégio e fizemos relações. Gostei da sua fisionomia, da
estranheza do seu caráter e mesmo ao descansarmos no recreio, após as aulas, a
minha meninice contemplava maravilhada aquele seu longo olhar cismático, que se
ia ia tão demoradamente pelas coisas e pelas pessoas.
Continuamos sempre
juntos até à escola superior, onde andei conversando; e, aos poucos, fui
verificando que as suas qualidades se acentuavam e os seus defeitos também.
Ele entendia
maravilhosamente a mecânica, mas não havia jeito de estudar essas coisas de
câmbio, de jogo de bolsa. Era assim: ara umas coisas, muita penetração; para
outras, incompreensão.
Formou-se, mas nunca
fez uso da carta. Tinha um pequeno rendimento e sempre viveu dele, afastado
dessa humilhante coisa que é a caça ao emprego.
Era sentimental, era
emotivo; mas nunca lhe conheci amor. Isto eu consegui decifrar, e era fácil. A
sua delicadeza e a sua timidez faziam a compartilha com outro, as coisas
secretas de sua pessoa, dos seus sonhos, tudo o que havia de secreto e profundo
na sua alma.
Há dias encontrei-o no
chope, diante de uma alta pilha de rodelas de papelão, marcando com solenidade
o número de copos bebidos.
Foi ali, no Adolfo, à
Rua da Assembleia, onde aos poucos temos conseguido reunir uma roda de poetas.
Por ela, passaram o Gonzaga Duque, o B. Lopes, o Mário Pederneiras, o Lima Campos,
o Malagutti e outros pintores que completavam essa brilhante sociedade de
homens inteligentes.
Escura e oculta à vista
da rua, é um ninho e também uma academia. Mais do que uma academia. São duas ou
três. Somos tantos e de feições mentais tão diferentes, que bem formamos uma
modesta miniatura de Silogeu.
Não se fazem discursos
à entrada: bebe-se e joga-se bagatela, lá ao fundo, cercado de uma plateia
ansiosa por ver o Amorim Júnior fazer sucessivos dezoitos.
Fui encontrá-lo lá, mas
o meu amigo se havia afastado do ruidoso cenáculo do fundo; e ficara a uma mesa
isolada.
Pareceu-me triste e a
nossa conversa não foi logo abundantemente sustentada. Estivemos alguns minutos
calados, sorvendo aos goles a cerveja consoladora.
O gasto de copos
aumentou e ele então falou com mais abundância e calor. Em princípio, tratamos
de coisas gerais de arte e letras. Ele não é literato, mas gosta das letras, e
as acompanha com carinho e atenção. Ao fim de digressão a tal respeito, ele me
disse de repente:
- Sabes por que não me
mato?
Não me espantei, porque
tenho por hábito não me espantar com as coisas que se passam no chope.
Disse-lhe muito naturalmente:
- Não.
- És contra o suicídio?
- Nem contra, nem a
favor; aceito-o.
- Bem. Compreendes
perfeitamente que não tenho mais motivo para viver. Estou sem destino, a minha
vida não tem fim determinado. Não quero ser senador, não quero ser deputado,
não quer soer nada. Não tenho ambições de riqueza, não tenho paixões nem
desejos. A minha vida me aparece de uma inutilidade de trapo. Já descri de
tudo, da arte, da religião e da ciência.
O Manuel serviu-nos
mais dois chopes, com aquela delicadeza tão dele, e o meu amigo continuou:
- Tudo o que há na
vida, o que lhe dá encanto, já não me atrai, e expulsei do meu coração. Não
quero amantes, é coisa que sai sempre uma caceteação; não quero mulher, esposa,
porque não quero ter filhos, continuar assim a longa cadeia de desgraças que
herdei e está em mim em estado virtual para passar aos outros. Não quero
viajar; enfada. Que hei de fazer?
- Eu quis dar-lhe um
conselho final, mas abstive-me, e respondi, em contestação:
- Matar-te.
- É isso que eu penso;
mas...
A luz elétrica
enfraqueceu um pouco e cri que uma nuvem lhe passava no olhar doce e tranquilo.
- Não tens coragem? –
Perguntei eu.
- Um pouco; mas não é
isso o que me afasta do fim natural da minha vida.
- Que é, então?
- É a falta de
dinheiro!
- Como? Um revólver é
barato.
- Eu me explico. Admito
a piedade em mim, para os outros; mas não admito a piedade dos outros para mim.
Compreendes bem que não vivo bem; o dinheiro que tenho é curto, mas dá para as
minhas despesas, de forma que estou sempre com cobres curtos. Se eu ingerir aí
qualquer droga, as autoridades vão dar com o meu cadáver miseravelmente privado
de notas do Tesouro. Que comentários farão? Como vão explicar o meu suicídio?
Por falta de dinheiro. Ora, o único ato lógico e alto da minha vida, ato de
suprema justiça e profunda sinceridade, vai ser interpretado, através da
piedade profissional dos jornais, como reles questão de dinheiro. Eu não quero
isso...
Do fundo da sala, vinha
a alegria dos jogadores de bagatela; mas aquele casquinar não diminuía em nada
a exposição das palavras sinistras de meu amigo.
- Eu não quero isso –
continuou ele. Quero que se dê ao ato o seu justo valor e que nenhuma
consideração subalterna lhe diminua a elevação.
- Mas escreve.
- Não sei escrever. A
aversão que há na minha alma excede às forças de meu estilo. Eu não saberei
dizer tudo o que de desespero vai nela; e, se tentar expor, ficarei na
banalidade e as nuanças fugidias dos meus sentimentos não serão registradas. Eu
queria mostrar a todos que fui traído; que me prometeram muito e nada me deram;
que tudo isso é vão e sem sentido, estando no fundo dessas coisas pomposas, arte,
ciência, religião, a importância de todos nós diante de augusto mistério do
mundo. Nada disso nos dá o sentido do nosso destino; nada disto nos dá uma
regra exata de conduta, não nos leva à felicidade, nem tira as coisas hediondas
da sociedade. Era isso...
- Mas vem cá: se tu
morresses com dinheiro na algibeira, nem por tal...
- Há nisso uma causa: a
causa da miséria ficaria arredada.
- Mas podia ser
atribuído ao amor.
- Qual. Não recebo
cartas de mulher, não namoro, não requesto mulher alguma; e não podiam,
portanto, atribuir ao amor o meu desespero.
- Entretanto, a causa
não viria à tona e o teu ato não seria aquilatado devidamente.
- De fato, é verdade;
mas a causa-miséria não seria evidente. Queres saber de uma coisa? Uma vez, eu
me dispus. Fiz uma transação, arranjei uns quinhentos mil-réis. Queria morrer
em beleza; mandei fazer uma casaca; comprei camisas, etc. Quando contei o
dinheiro já era pouco. De outra, fiz o mesmo. Meti-me em uma grandeza e, ao
amanhecer em casa estava a níqueis.
- De forma que é ter
dinheiro para matar-te zás, tens vontade de divertir-te.
- Tem me acontecido
isso; mas hão julgues que estou prosando. Falo sério e franco.
Nós nos calamos um
pouco, bebemos um pouco de cerveja, e depois eu observei:
- O teu modo de
matar-te não é violento, é suave. Estás a afogar-te em cerveja e é pena que não
tenhas quinhentos contos, porque nunca te matarias.
- Não. Quando o
dinheiro acabasse, era fatal.
- Zás, para o
necrotério na miséria; e então?
- É verdade...
Continuava a viver.
Rimo-nos um pouco do
encaminhamento que a nossa palestra tomava.
Pagamos a despesa,
apertamos a mão do Adolfo, dissemos duas pilhérias ao Quincas e saímos.
Na rua, os bondes
passavam com estrépito; homens e mulheres se agitavam nas calçadas;
carros e automóveis iam e vinham...
A vida continuava sem
esmorecimentos, indiferente que houvesse tristes e alegres, felizes e
desgraçados, aproveitando a todos eles para o seu drama e a sua complexidade.
Avaliação de Literatura
Narre o texto lido
tendo em vista a construção do espaço, da personalidade dos personagens e o
roteiro da história. Em seguida analise os aspectos sociais e emocionais do
texto, acrescentando uma comparação com as características da estética
pré-modernista.
ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO AREAL
LITERATURA - Aula 5
PRÉMODERNISMO
REVISÃO
O que foi
O Pré-Modernismo foi um período da literatura brasileira, que
teve seu desenvolvimento nas décadas de 1910 e 1920. Muitos estudiosos da
literatura brasileira afirmam que foi um período de transição entre o
simbolismo e o modernismo.
1.
Alguns estudiosos dizem que esse período de transição não
constitui uma escola literária, mas é uma tendência literária. Sabendo que
Escola literária é um conceito didático para ajudar a estudar a literatura e
que é uma tentativa de agrupar autores que apresentam temática e estilo
semelhante dentro de um mesmo contexto histórico, podemos afirmar que o
pré-modernismo não constitui uma Escola porque:
a)
Não apresenta as marcas
do inconsciente, da sonoridade e da preocupação simbólica das imagens criadas
pelos simbolismo, nem trazia as preocupações nem o entusiasmo diante das
novidades e mudanças do modernismo.
b)
Dez anos é um tempo muito curto para que se desenvolva uma
escola literária.
c)
O pré-modernismo apresenta poucos artistas e suas obras são
muito difusas em estilo e temática, dessa forma não encontramos semelhanças
entre eles para que haja uma ideologia que fundamente uma escola literária.
d)
As obras apresentavam um contexto, um estilo coeso entre seus
escritores e as temáticas eram voltadas a fazer um retrato do Brasil antes da
popularização dos avanços tecnológicos, dessa forma se constituindo numa escola
literária, apesar de muitos afirmarem que é uma tendência literária.
e)
N. d. a.
Contexto histórico
O Pré-Modernismo brasileiro situa-se no contexto histórico da
consolidação da República. A expectativa de um novo Brasil, mais justo e
moderno, com o advento do regime republicano foi frustrada. No novo regime, as
desigualdades continuaram, a oligarquia se manteve no poder, a participação
política ficou restrita às elites e os conflitos sociais (exemplos: Guerra da
Vacina, Guerra do Contestado, Cangaço e Revolta da Chibata) pipocaram pelo
Brasil. Foi este contexto que influenciou a produção literária das duas
primeiras décadas do século XX.
2.
O Brasil República se opõe ao Brasil colônia, em que o sistema
político era o da monarquia. O Brasil República começa em 1889. Mas no
pré-modernismo (1910) o sentimento era de frustração. Que situações alimentavam
esse sentimento de frustração?
a)
O país mais justo ficou para traz com a “política do café com
leite” em que as regiões mais desenvolvidas economicamente ditavam o destino da
população do país.
b)
A modernidade em termo de acesso as tecnologias da época:
eletricidade, rádio, cinema, automóvel, telefone era uma realidade só acessível
aos mais ricos e poderosos, para a maioria da população o Brasil continuava
sendo rural e miserável.
c)
A desigualdade imperava: as mulheres não tinham direito ao voto,
os negros, apesar de libertos, continuavam num processo de exclusão no meio
rural ou no cortiços, gênese das favelas no Brasil, as crianças pobres não
tinham acesso à educação.
d)
As revoltas populares e protestos eram vistos como atos de
pessoas desajustadas e de caráter duvidoso e a sociedade branca, letrada,
urbana e assalariada apoiava a repressão do governo à população desfavorecida
econômica e politicamente.
e)
Todas as afirmações anteriores estão corretas.
Principais características do
Pré-Modernismo no Brasil:
- Abordagem de problemas sociais brasileiros (desigualdade,
conflitos, pobreza e exclusão social e política). Estes temas serão retratados,
principalmente, nas obras de dois importantes escritores do período: Lima
Barreto e Euclides da Cunha.
- Regionalismo: valorização de aspectos culturais de regiões do
Brasil.
3.
Por regionalismo, em literatura, entendemos que:
a)
Há uma obra representativa de algumas regiões do país, dessa
forma podemos afirmar que as obras produzidas no Norte/Nordeste diferenciam-se
das obras do Sul/Sudeste por apresentar culturas e realidades diferentes.
b)
Todas as regiões do país são representadas e as diferenças se
atém a descrição das paisagens e tipos populares, bem como da linguagem e vestuário,
no entanto o estilo do escritor e a temática abordada é a mesma indiferente da
região.
c)
Por tratar-se de obra de ficção, entende-se por regionalismo, o
lugar em que a obra foi lançada e comercializada e não o espaço, o tipo humano
e a temática desenvolvida na obra.
d)
Por regionalismo entendemos a relação entre o autor e a região
em que sua obra foi lançada e não necessariamente ao conteúdo da obra.
e)
N.d.a.
- Estética literária marcada por valores do Naturalismo.
4.
O Naturalismo foi uma Escola literária cuja característica
principal era explicar o comportamento humano a partir de influências biológicas
ou ambientais. Se o Pré-modernismo é uma estética que se volta para a expressão
cultural de uma região num contexto histórico político e social, é correto
afirmar que também é uma estética naturalista?
a) Não, é impossível haver ligação entre cultura, ambiente
natural e constituição orgânica.
b) Sim, a cultura de um povo tem relação com seu ambiente
natural e social, da mesma forma em que esse ambiente influencia na
constituição de seu organismo e por fim de seus sentimentos e impressões da
vida.
- Mistura de estilos literários de escolas anteriores.
- Surgimento, em alguns escritores (Lima Barreto, por exemplo)
do uso da linguagem coloquial.
5.
Por que a linguagem coloquial é importante característica do
pré-modernismo?
a) As escolas anteriores, sobretudo as que retomavam os modelos
clássicos como o Barroco, o Arcadismo e o parnasianismo, veem na linguagem
culta uma forma de manter a Literatura como uma arte transcendental, grandiosa,
mais próxima das coisas do alto, como Deus, a perfeição, a elite. O
pré-modernismo questiona através da linguagem essa ideia de que a arte deva ser
para a elite.
b) O pré-modernismo se quer como a representação dos tipos
humanos comuns e prosaicos, seus personagens não são os heróis das grandes
guerras, nem são os arquétipos para transformação do mundo, eles são as pessoas
simples do povo e seus conflitos, pequenos e vulgares, por isso traz a
linguagem desse povo e não a língua da elite.
c) O pré-modernismo quer mostrar as incongruências, a
diversidade, as multifacetas da realidade brasileira por isso não traz a
linguagem padrão que massifica e exclui todos que não dominam essa linguagem.
d) Assim como retrata o universo dos excluídos e dos
marginalizados utilizando a linguagem nessa representação, a própria arte
pré-modernista passa a ser marginal, ao ser rejeitada por sua linguagem pela
elite que não se vê representada, mas criticada e denunciada, assim seus
autores são vistos como artistas desajustados ou produtores de uma arte menor.
e) Todas as alternativas demonstram a importância da linguagem
coloquial na arte pré-modernista.
- Surgimento, embora o conservadorismo ainda se faça presente,
de inovações técnicas na forma de expressão literária.
* importante: por não se tratar de uma escola literária, mas sim um período
de transição, as características acima não estão presentes nas obras de todos
os escritores pré-modernistas. Cada escritor possui seu próprio estilo e suas
próprias temáticas de destaque.
Literatura- Aula 6
Pré-Modernismo
Vida e obra de Lima Barreto
´Afonso Henriques de
Lima Barreto
´ Escritor e jornalista
brasileiro.
´ Nasceu na cidade do
Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881.
´Morreu na cidade do
Rio de Janeiro em 1 de novembro de 1922.
´ Filho de pais
pobres, ficou órfão de mãe ainda
na infância (quando tinha 6 anos).
´ Estudo no
Colégio Pedro II (curso secundário) e no curso de Engenharia da Escola
Politécnica.
´ Abandonou o
curso para trabalhar e sustentar a família. Trabalhou como escrevente coopista na Secretaria
de Guerra.
´Para aumentar a renda, escrevia textos para jornais
cariocas.
´ Era simpático
ao anarquismo e militou na imprensa socialista da época.
´Alcoólatra, teve vários
problemas relacionados à depressão. Chegou a ser internado algumas vezes com
problemas psiquiátricos
´Abordou em suas obras as grandes injustiças sociais.
´ Fez críticas
ao regime político da República Velha.
´ Possuía um
estilo literário fora dos padrões da época. Seu estilo era despojado, coloquial
e fluente.
´ É um escritor
de transição entre o Realismo e o Modernismo.
Principais obras
´Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909)
´Triste fim de
Policarpo Quaresma (1915)
´ Numa e ninfa
(1915)
´Os bruzundangas (1923)
´Clara dos Anjos
(1948)
´Diário Íntimo (1953)
Avaliação dos seus conhecimentos
Verdade ou Falsidade
Verdade ou Falsidade
´1. Lima
Barreto foi um pobre com acesso a educação de elite.
´2. Sua vida
não teve o segmento mais tradicional: nascer, crescer, se relacionar, ter
filhos e morrer. Podemos afirmar que os seus conflitos pessoais aliados aos
conflitos de seu tempo e sua personalidade artista o levaram a uma vida de
solidão e tristeza, motivo de seu alcoolismo.
´3. Negro,
pobre, alcoólatra e artista eram alguns dos problemas que o faziam um
desajustado social, incompreendido e excluído que o conduziram ao sanatório e a
morte.
´4. Nas suas
obras havia expressão desses conflitos, injustiças e críticas a um mundo que
cultua e protege o branco, o rico, o que aparenta o comportamento cultuado pela
sociedade de elite.
´5. Muitos
estudiosos o consideram realista porque sua obra traz a realidade do Brasil
rural.
ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO AREAL
LITERATURA
ESTUDO DO TEXTO DE LIMA BARRETO
5/1/ 1908
Desde menino eu tenho a mania do suicídio. Aos sete anos,
logo depois da morte de minha mãe, quando eu fui acusado injustamente de furto,
tive vontade de me matar. Foi desde essa época que eu senti a injustiça da
vida, a dor que ela envolve, a incompreensão da minha delicadeza, do meu
natural doce e terno; e daí também comecei a respeitar supersticiosamente a
honestidade, de modo que as mínimas coisas me parecem grandes crimes e eu fico
abalado e sacolejante. Deu-me esse acontecimento, conjuntamente com a vida
naturalmente seca e árida dos colégios, uma tristeza sem motivo, que é o fundo
de quadro, mas pelo qual passam bacantes em estertores de grande festa. Outra
vez que essa vontade me veio foi aos onze anos ou doze, quando fugi do colégio.
Armei um laço numa árvore lá do sítio da ilha, mas não me sobrou coragem para
me atirar no vazio com ele ao pescoço. Nesse tempo, eu me acreditava
inteligente e era talvez isso que me fazia ter medo de dar fim a mim mesmo.
Hoje, quando essa triste vontade me vem, já não é o
sentimento da minha inteligência que me impede de consumar o ato: é hábito de
viver, é a covardia, é a minha natureza débil e esperançada.
Há dias que essa vontade me acompanha, há dias em que ela me
vê dormir e me saúda ao acordar. Estou com vinte e sete anos, tendo feito uma
porção de bobagens, sem saber positividamente nada; ignorando se tenho
qualidades naturais, escrevendo em explosões, sem dinheiro, sem família,
carregado de dificuldades e responsabilidades.
Mas de tudo isso o que mais me amola é sentir que não sou
inteligente. Mulato, desorganizado, incompreensível e incompreendido, era a única coisa que me encheria de satisfação,
ser inteligente, muito e muito! A humanidade vive da inteligência, pela
inteligência e para a inteligência e eu, inteligente, entraria por força na
humanidade, isto é, na grande Humanidade de que quero fazer parte.
Mas não é só não ser inteligente que me abate. Abate-me
também não ter amigos e ir perdendo os poucos que tinha. Santos está se
afastando, Ribeiro e J. Luís também. Eram os melhores. Carneiro (o Otávio), o
egoísta e frio Otávio, está fazendo a sua alta vida, a sua reputação, o seu
halo grandioso, e é preciso não me procurar mais. Eu esperava isto tudo; mas
não pensei que fosse tão cedo. Resta-me o Pausilipo, este é o único que se
parece comigo e que tem o meu fundo, que ele desconhece por completo.
Eu os sabia desse feitio, principalmente o O. C. Ele tinha um
lustre, um verniz de independência e desinteresse, de superioridade e de
grandeza, mas a vida, a grande vida, a fortuna, as fêmeas e uma esposa assim
assim pedem outras coisas muito diferentes: submissão, respeito pelo
estabelecido, companhias que não sejam suspeitas, etc.
Eu fico só, só com os meus irmãos e o meu orgulho e as minhas
falhas.
Vai me faltando a energia. Já não consigo ler um livro
inteiro, já tenho náuseas de tudo, já escrevo com esforço. Só o álcool me dá
prazer e me tenta... Oh! Meu Deus! Onde irei parar?
Tenho um livro (trezentas páginas manuscritas), de que falta
escrever dois ou três capítulos. Não tenho ânimo de acaba-lo. Sinto-o besta,
imbecil, fraco, hesito em publicá-lo, hesito em acaba-lo.
É por isso que me dá gana de matar-me, mas a coragem me falta
e me parece que é isso que me tem faltado sempre.
1.
Aos
sete anos o autor sente pela primeira vez a vontade de matar-se. Que fato o
leva a essa vontade?
a) Ele era pobre.
b) Ele perdeu a mãe.
c) Ele foi acusado de ter furtado algo.
d) Ele foi descoberto como autor de um
furto.
e) Ele era uma criança-problema.
2.
Que
sentimentos passaram a fazer parte de sua personalidade após esse
acontecimento?
a) O sentimento de injustiça
b) A dor não ser visto como uma pessoa
frágil, a delicadeza de sua juventude.
c) A dor de não ser reconhecido como uma
pessoa afetuosa, doce e terna.
d) A necessidade de mostrar-se honesto e
ficar abalado com a situações mínimas em que não cabem a honestidade.
e) Todas as alternativas demonstram a
personalidade do autor.
3.
O
autor define o ambiente escolar como: vida naturalmente seca e árida. Que
impressões essa definição pode sugerir?
a) Na sua escola não havia acesso a
água.
b) Sua vida escolar era infrutífera, ele
tinha sérios problemas de aprendizagem.
c) Sua vida escolar era um ambiente sem
amigos, sem alegria.
d) A escola é naturalmente um lugar de
sofrimento para todas as pessoas.
e) N. d.a.
4.
Ele
também define a escola como lugar onde passa “bacantes em estertores de grande
festa.” Eis a imagem que o autor quis evocar:
A partir dessa imagem que ideia o
autor faz dos frequentadores do ambiente escolar (professores, alunos,
funcionários, etc)
a) Que a escola é uma grande orgia.
b) Que é um ambiente de brincadeiras,
sensualidade, depravação, quase infernal.
c) Que na escola as pessoas se
relacionam, se divertem, amam, brincam com sensualidade e prazer.
d) Que a escola não tem a seriedade e o
estudo que deveria ter, é um lugar em que se desvirtua sua utilidade.
e) N. d. a
5.
Já
adulto que atributo o autor gostaria de possuir que o tornaria livre do desejo
de matar-se?
a) Ter dinheiro.
b) Ser um escritor bem sucedido
c) Ter uma namorada
d) Ser casado
e) Ser inteligente
6.
O
autor afirma: Se eu fosse inteligente “entraria por força na humanidade, isto
é, na grande Humanidade de que quero fazer parte.” Por isso podemos perceber
que ele:
a) Não se sente humano.
b) Sente-se sem conhecimento.
c) Sente-se sem sabedoria.
d) Sente-se deslocado.
e) Sente-se excluído.
7.
Sobre
os amigos o autor faz algumas afirmações:
I – Os melhores amigos se afastam.
II – Alguns são egoístas e frios
III – Os amigos que lhe restam são
iguais a ele, mas não têm consciência dessa igualdade.
Percebemos que:
a) Os amigos que o rejeita consideram-se
classe superior e que não lhes convém a amizade do autor. Mesmo os de sua
classe consideram-se superiores.
b) Os amigos não o rejeita, o autor tem
uma visão distorcida dos amigos.
c) O autor revolta-se com o afastamento
dos amigos e não reconhece nenhuma diferença entre eles, por isso não entende o
afastamento.
d) Os amigos tratam bem o autor apesar
deste os rejeitar.
e) O autor detesta seus amigos e por
isso não os procura.
8.
Na
visão do autor que atributos as mulheres buscam num homem para casar:
a) Dinheiro para sustentar uma família.
b) Poder, uma profissão de relevância
social
c) Estudo, reconhecimento intelectual
d) Respeito às convenções sociais
e) Honestidade
9.
Sobre
sua vida fora do ambiente social ele afirma: “Eu fico só, só com meus irmãos,
meu orgulho e minhas falhas.” Podemos afirmar que a solidão do autor é:
a) Verdadeira, de fato ele não tem
ninguém que lhe faça companhia.
b) Verdadeira, de fato ele não tem
ninguém que o ame e o aceite.
c) Verdadeira, de fato ele é
absolutamente incompreendido.
d) Falsa, ele tem irmãos que acolhem.
e) Falsa, ele tem o amor dos familiares,
mas anseia pelo prestígio social, cujas falhas não permitem conquistar.
10. Como o autor supre essa carência de
aceitação social, esse sentimento de que há falhas que a sociedade não perdoa e
por isso o rejeita?
a) Ele escreve
b) Ele dedica-se a família
c) Ele busca cativar os poucos amigos
que mesmo percebendo-se diferente ainda o aceitam.
d) Ele pensa em suicídio
e) Ele bebe, e tem grande prazer em
ceder à tentação, já que não tem coragem de matar-se de uma vez, ele mata-se
aos poucos.


