3° Ano - Literatura

       LITERATURA – AULA 1
Pré-modernismo
CONTEXTO
O período literário conhecido como Pré-Modernismo situa-se, aproximadamente, nas duas primeiras décadas do séc. XX, precedendo o movimento modernista de 22. Na verdade, o Pré-Modernismo não corresponde a uma escola literária, mas sim a um confluir de escritores que, não correspondendo a nenhuma das estéticas de fins do século XIX, tiveram uma produção de impacto, apresentando novas vertentes estilísticas e/ou temáticas em nossa literatura.     
Os principais autores do período são:
Lima Barreto (1881-1922)
Augusto dos Anjos (1884-1914)

Euclides da Cunha (1866-1909)
Monteiro Lobato (1882-1948)
João Simões Lopes Neto (1865 – 1916)

O Rio de Janeiro do início do século XX era a capital da recém-proclamada República.

República Velha (1889 – 1930)

O período começa com a Proclamação da República, liderada pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889. Em 1891, é promulgada a primeira constituição da era republicana.
Também conhecido como República das Oligarquias, o período foi marcado por governos ligados ao setor agrário, que se mantinham no poder de forma alternada: a “política do café com leite”. A quebra dessa troca de governo provocou a Revolução de 1930 e marcou o fim da República Velha.
Contexto cultural do Brasil, durante a República Velha
Durante a República Velha, o Brasil experimentava uma situação de mudança, de transformação. O país começava a abandonar suas características essencialmente rurais para então experimentar o crescimento dos centros urbanos do país. No entanto, esse era só o começo da mudança. A grande maioria da população continuava sem instrução e o debate cultural e artístico ainda ficava recluso entre as elites econômicas.
Com o fim da escravidão, a República Velha foi marcada pela chegada de muitos negros que saíram das antigas propriedades em busca de melhores oportunidades. No Rio de Janeiro, muitos deles se aglomeravam em cortiços e bairros portuários, organizando comunidades em que, ao mesmo tempo em que se ajudavam, também experimentavam  manifestações artísticas diversas.
Do ponto de vista histórico, o samba, o maxixe e o choro ganhavam forma e possibilidade nessa época. Nas chamadas casas das tias, vários negros e outros elementos da sociedade urbana carioca se reuniam em festas que já ganhavam o nome de “samba” naquela época. Nas datas festivas, os músicos populares saíam pelas ruas organizando os chamados “cordões”, que indicavam uma organização mais simples dos futuros desfiles de escola samba.
Nessa mesma época, vemos que o Brasil também recebeu um grande número de imigrantes europeus que escapavam da miséria e das dificuldades impostas pela Primeira Guerra Mundial. Em geral, esses imigrantes chegaram ao país com o objetivo de ocupar vagas de trabalho nas indústrias que apareciam nas grandes cidades, tendo em vista que tinham experiência como operários em sua terra natal.
Junto com o sonho de uma vida melhor em terras brasileiras, esses imigrantes europeus chegaram por aqui também trazendo os valores políticos do pensamento comunista e anarquista. Em várias situações, inconformados com as injustiças de nosso país, disseminavam seus ideais de luta e contestação em jornais e manifestações públicas. Chegaram ao ponto de organizarem escolas populares, buscando educar seus filhos segundo seus ideais políticos.
No campo da literatura e das artes, vemos que alguns integrantes de nossas elites traziam ao contexto brasileiro as questões estéticas empreendidas na Europa. Os chamados modernistas se organizavam em círculos de discussão pensando a identidade própria de nossa cultura. Estavam cansados do velho hábito de se pensar que o Brasil só se tornaria “culto” e “civilizado” ao imitar os valores que viesse de fora.
O resultado de toda essa discussão foi a Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida na cidade de São Paulo. Nesse evento, novos pintores, escritores e poetas apareceram ao público expondo que o Brasil tinha uma riqueza cultural própria a ser conhecida e apreciada. Em termos históricos, o evento indicava que o Brasil não poderia ser mais entendido pelos valores da Europa ou como um simples celeiro produtor de grãos para o mundo.
É desse modo que vemos as transformações experimentadas na época da República Velha. Muita coisa ainda deveria mudar, a grande maioria da população era analfabeta e as manifestações de ordem popular nem sempre ganhavam prestígio. Por outro lado, o debate sobre “a cara do Brasil”, da sua cultura, começava a apontar para outros rumos e possibilidades.
Exercício
Por apresentar uma diversidade de pontos de vista, as obras, em sua maioria, não apresentam aspectos parecidos para formar uma escola literária.
2 – Por que o período da República velha é chamado de República do Café com Leite?
3 – Reflita sobre os seguintes aspectos da sociedade brasileira, entre 1900 e 1920.
a) O meio rural e o meio urbano.

b)                       O negro e o imigrante


c) A arte popular e a arte de elite



    LITERATURA - Aula 2
Observe os três quadros e agrupe as afirmações que melhor se aplica a definição de cada estilo.

Quadro 1 - Pintor Realismo/Parnasianismo
Gustave Coubert - Maçãs vermelhas no pé de uma árvore


Quadro 2 - Pintor Simbolista Odilon Redon
Arcádia Psicodélica

Quadro 3 - Pré-Modernismo. 
Pintura de Anita Malfatti - O farol



·      Preocupação em retratar fielmente a realidade.
· Preocupação em trabalhar imagem, cor e perspectiva de forma abstrata representando a confusão do viver e existir
·   A interferência da sociedade e da produtividade humana interfere na organização da natureza.
·      O urbano e seus processos de organização são pontos essenciais na produção artística.
·      O olhar do artista mostra maior criticidade sobre as organizações sociais.
·      Há uma fuga da realidade para o sentir, buscando refúgio nas emoções, cores e formas, alienando-se da realidade.
·      A realidade é concretizada, o autor foge das representações pessoais e busca deixar o espectador livre para construir suas representações. 

Literatura - Aula 3

Leia o texto abaixo, do autor Lima Barreto. 

PORQUE NÃO SE MATAVA
Esse meu amigo era o homem mais enigmático que conheci. Era a um tempo taciturno e expansivo, egoísta e generoso, bravo e covarde, trabalhador e vadio. Havia no seu temperamento uma desesperadora mistura de qualidades opostas e, na sua inteligência, um encontro curioso de lucidez e confusão, de agudeza e embotamento.
Nós nos dávamos desde muito tempo. Aí pelos doze anos, quando comecei a estudar os preparatórios, encontrei-o no colégio e fizemos relações. Gostei da sua fisionomia, da estranheza do seu caráter e mesmo ao descansarmos no recreio, após as aulas, a minha meninice contemplava maravilhada aquele seu longo olhar cismático, que se ia ia tão demoradamente pelas coisas e pelas pessoas.
Continuamos sempre juntos até à escola superior, onde andei conversando; e, aos poucos, fui verificando que as suas qualidades se acentuavam e os seus defeitos também.
Ele entendia maravilhosamente a mecânica, mas não havia jeito de estudar essas coisas de câmbio, de jogo de bolsa. Era assim: ara umas coisas, muita penetração; para outras, incompreensão.
Formou-se, mas nunca fez uso da carta. Tinha um pequeno rendimento e sempre viveu dele, afastado dessa humilhante coisa que é a caça ao emprego.
Era sentimental, era emotivo; mas nunca lhe conheci amor. Isto eu consegui decifrar, e era fácil. A sua delicadeza e a sua timidez faziam a compartilha com outro, as coisas secretas de sua pessoa, dos seus sonhos, tudo o que havia de secreto e profundo na sua alma.
Há dias encontrei-o no chope, diante de uma alta pilha de rodelas de papelão, marcando com solenidade o número de copos bebidos.
Foi ali, no Adolfo, à Rua da Assembleia, onde aos poucos temos conseguido reunir uma roda de poetas. Por ela, passaram o Gonzaga Duque, o B. Lopes, o Mário Pederneiras, o Lima Campos, o Malagutti e outros pintores que completavam essa brilhante sociedade de homens inteligentes.
Escura e oculta à vista da rua, é um ninho e também uma academia. Mais do que uma academia. São duas ou três. Somos tantos e de feições mentais tão diferentes, que bem formamos uma modesta miniatura de Silogeu.
Não se fazem discursos à entrada: bebe-se e joga-se bagatela, lá ao fundo, cercado de uma plateia ansiosa por ver o Amorim Júnior fazer sucessivos dezoitos.
Fui encontrá-lo lá, mas o meu amigo se havia afastado do ruidoso cenáculo do fundo; e ficara a uma mesa isolada.
Pareceu-me triste e a nossa conversa não foi logo abundantemente sustentada. Estivemos alguns minutos calados, sorvendo aos goles a cerveja consoladora.
O gasto de copos aumentou e ele então falou com mais abundância e calor. Em princípio, tratamos de coisas gerais de arte e letras. Ele não é literato, mas gosta das letras, e as acompanha com carinho e atenção. Ao fim de digressão a tal respeito, ele me disse de repente:
- Sabes por que não me mato?
Não me espantei, porque tenho por hábito não me espantar com as coisas que se passam no chope. Disse-lhe muito naturalmente:
- Não.
- És contra o suicídio?
- Nem contra, nem a favor; aceito-o.
- Bem. Compreendes perfeitamente que não tenho mais motivo para viver. Estou sem destino, a minha vida não tem fim determinado. Não quero ser senador, não quero ser deputado, não quer soer nada. Não tenho ambições de riqueza, não tenho paixões nem desejos. A minha vida me aparece de uma inutilidade de trapo. Já descri de tudo, da arte, da religião e da ciência.
O Manuel serviu-nos mais dois chopes, com aquela delicadeza tão dele, e o meu amigo continuou:
- Tudo o que há na vida, o que lhe dá encanto, já não me atrai, e expulsei do meu coração. Não quero amantes, é coisa que sai sempre uma caceteação; não quero mulher, esposa, porque não quero ter filhos, continuar assim a longa cadeia de desgraças que herdei e está em mim em estado virtual para passar aos outros. Não quero viajar; enfada. Que hei de fazer?
- Eu quis dar-lhe um conselho final, mas abstive-me, e respondi, em contestação:
- Matar-te.
- É isso que eu penso; mas...
A luz elétrica enfraqueceu um pouco e cri que uma nuvem lhe passava no olhar doce e tranquilo.
- Não tens coragem? – Perguntei eu.
- Um pouco; mas não é isso o que me afasta do fim natural da minha vida.
- Que é, então?
- É a falta de dinheiro!
- Como? Um revólver é barato.
- Eu me explico. Admito a piedade em mim, para os outros; mas não admito a piedade dos outros para mim. Compreendes bem que não vivo bem; o dinheiro que tenho é curto, mas dá para as minhas despesas, de forma que estou sempre com cobres curtos. Se eu ingerir aí qualquer droga, as autoridades vão dar com o meu cadáver miseravelmente privado de notas do Tesouro. Que comentários farão? Como vão explicar o meu suicídio? Por falta de dinheiro. Ora, o único ato lógico e alto da minha vida, ato de suprema justiça e profunda sinceridade, vai ser interpretado, através da piedade profissional dos jornais, como reles questão de dinheiro. Eu não quero isso...
Do fundo da sala, vinha a alegria dos jogadores de bagatela; mas aquele casquinar não diminuía em nada a exposição das palavras sinistras de meu amigo.
- Eu não quero isso – continuou ele. Quero que se dê ao ato o seu justo valor e que nenhuma consideração subalterna lhe diminua a elevação.
- Mas escreve.
- Não sei escrever. A aversão que há na minha alma excede às forças de meu estilo. Eu não saberei dizer tudo o que de desespero vai nela; e, se tentar expor, ficarei na banalidade e as nuanças fugidias dos meus sentimentos não serão registradas. Eu queria mostrar a todos que fui traído; que me prometeram muito e nada me deram; que tudo isso é vão e sem sentido, estando no fundo dessas coisas pomposas, arte, ciência, religião, a importância de todos nós diante de augusto mistério do mundo. Nada disso nos dá o sentido do nosso destino; nada disto nos dá uma regra exata de conduta, não nos leva à felicidade, nem tira as coisas hediondas da sociedade. Era isso...
- Mas vem cá: se tu morresses com dinheiro na algibeira, nem por tal...
- Há nisso uma causa: a causa da miséria ficaria arredada.
- Mas podia ser atribuído ao amor.
- Qual. Não recebo cartas de mulher, não namoro, não requesto mulher alguma; e não podiam, portanto, atribuir ao amor o meu desespero.
- Entretanto, a causa não viria à tona e o teu ato não seria aquilatado devidamente.
- De fato, é verdade; mas a causa-miséria não seria evidente. Queres saber de uma coisa? Uma vez, eu me dispus. Fiz uma transação, arranjei uns quinhentos mil-réis. Queria morrer em beleza; mandei fazer uma casaca; comprei camisas, etc. Quando contei o dinheiro já era pouco. De outra, fiz o mesmo. Meti-me em uma grandeza e, ao amanhecer em casa estava a níqueis.
- De forma que é ter dinheiro para matar-te zás, tens vontade de divertir-te.
- Tem me acontecido isso; mas hão julgues que estou prosando. Falo sério e franco.
Nós nos calamos um pouco, bebemos um pouco de cerveja, e depois eu observei:
- O teu modo de matar-te não é violento, é suave. Estás a afogar-te em cerveja e é pena que não tenhas quinhentos contos, porque nunca te matarias.
- Não. Quando o dinheiro acabasse, era fatal.
- Zás, para o necrotério na miséria; e então?
- É verdade... Continuava a viver.
Rimo-nos um pouco do encaminhamento que a nossa palestra tomava.
Pagamos a despesa, apertamos a mão do Adolfo, dissemos duas pilhérias ao Quincas e saímos.
Na rua, os bondes passavam com estrépito; homens e mulheres se agitavam nas calçadas; carros e automóveis iam e vinham...
A vida continuava sem esmorecimentos, indiferente que houvesse tristes e alegres, felizes e desgraçados, aproveitando a todos eles para o seu drama e a sua complexidade.

Avaliação de Literatura
Narre o texto lido tendo em vista a construção do espaço, da personalidade dos personagens e o roteiro da história. Em seguida analise os aspectos sociais e emocionais do texto, acrescentando uma comparação com as características da estética pré-modernista.


 ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO AREAL
LITERATURA - Aula 5
PRÉMODERNISMO
REVISÃO

O que foi

O Pré-Modernismo foi um período da literatura brasileira, que teve seu desenvolvimento nas décadas de 1910 e 1920. Muitos estudiosos da literatura brasileira afirmam que foi um período de transição entre o simbolismo e o modernismo.

1.    Alguns estudiosos dizem que esse período de transição não constitui uma escola literária, mas é uma tendência literária. Sabendo que Escola literária é um conceito didático para ajudar a estudar a literatura e que é uma tentativa de agrupar autores que apresentam temática e estilo semelhante dentro de um mesmo contexto histórico, podemos afirmar que o pré-modernismo não constitui uma Escola porque:

a)     Não apresenta as marcas do inconsciente, da sonoridade e da preocupação simbólica das imagens criadas pelos simbolismo, nem trazia as preocupações nem o entusiasmo diante das novidades e mudanças do modernismo.
b)   Dez anos é um tempo muito curto para que se desenvolva uma escola literária.
c)    O pré-modernismo apresenta poucos artistas e suas obras são muito difusas em estilo e temática, dessa forma não encontramos semelhanças entre eles para que haja uma ideologia que fundamente uma escola literária.
d)   As obras apresentavam um contexto, um estilo coeso entre seus escritores e as temáticas eram voltadas a fazer um retrato do Brasil antes da popularização dos avanços tecnológicos, dessa forma se constituindo numa escola literária, apesar de muitos afirmarem que é uma tendência literária.
e)    N. d. a.
Contexto histórico

O Pré-Modernismo brasileiro situa-se no contexto histórico da consolidação da República. A expectativa de um novo Brasil, mais justo e moderno, com o advento do regime republicano foi frustrada. No novo regime, as desigualdades continuaram, a oligarquia se manteve no poder, a participação política ficou restrita às elites e os conflitos sociais (exemplos: Guerra da Vacina, Guerra do Contestado, Cangaço e Revolta da Chibata) pipocaram pelo Brasil. Foi este contexto que influenciou a produção literária das duas primeiras décadas do século XX.


2.    O Brasil República se opõe ao Brasil colônia, em que o sistema político era o da monarquia. O Brasil República começa em 1889. Mas no pré-modernismo (1910) o sentimento era de frustração. Que situações alimentavam esse sentimento de frustração?
a)    O país mais justo ficou para traz com a “política do café com leite” em que as regiões mais desenvolvidas economicamente ditavam o destino da população do país.
b)   A modernidade em termo de acesso as tecnologias da época: eletricidade, rádio, cinema, automóvel, telefone era uma realidade só acessível aos mais ricos e poderosos, para a maioria da população o Brasil continuava sendo rural e miserável.
c)    A desigualdade imperava: as mulheres não tinham direito ao voto, os negros, apesar de libertos, continuavam num processo de exclusão no meio rural ou no cortiços, gênese das favelas no Brasil, as crianças pobres não tinham acesso à educação.
d)   As revoltas populares e protestos eram vistos como atos de pessoas desajustadas e de caráter duvidoso e a sociedade branca, letrada, urbana e assalariada apoiava a repressão do governo à população desfavorecida econômica e politicamente.
e)    Todas as afirmações anteriores estão corretas.

Principais características do Pré-Modernismo no Brasil:

- Abordagem de problemas sociais brasileiros (desigualdade, conflitos, pobreza e exclusão social e política). Estes temas serão retratados, principalmente, nas obras de dois importantes escritores do período: Lima Barreto e Euclides da Cunha.

- Regionalismo: valorização de aspectos culturais de regiões do Brasil.

3.    Por regionalismo, em literatura, entendemos que:
a)    Há uma obra representativa de algumas regiões do país, dessa forma podemos afirmar que as obras produzidas no Norte/Nordeste diferenciam-se das obras do Sul/Sudeste por apresentar culturas e realidades diferentes.
b)   Todas as regiões do país são representadas e as diferenças se atém a descrição das paisagens e tipos populares, bem como da linguagem e vestuário, no entanto o estilo do escritor e a temática abordada é a mesma indiferente da região.
c)    Por tratar-se de obra de ficção, entende-se por regionalismo, o lugar em que a obra foi lançada e comercializada e não o espaço, o tipo humano e a temática desenvolvida na obra.
d)   Por regionalismo entendemos a relação entre o autor e a região em que sua obra foi lançada e não necessariamente ao conteúdo da obra.
e)    N.d.a.



- Estética literária marcada por valores do Naturalismo.

4.    O Naturalismo foi uma Escola literária cuja característica principal era explicar o comportamento humano a partir de influências biológicas ou ambientais. Se o Pré-modernismo é uma estética que se volta para a expressão cultural de uma região num contexto histórico político e social, é correto afirmar que também é uma estética naturalista?
a) Não, é impossível haver ligação entre cultura, ambiente natural e constituição orgânica.

b) Sim, a cultura de um povo tem relação com seu ambiente natural e social, da mesma forma em que esse ambiente influencia na constituição de seu organismo e por fim de seus sentimentos e impressões da vida.

- Mistura de estilos literários de escolas anteriores.

- Surgimento, em alguns escritores (Lima Barreto, por exemplo) do uso da linguagem coloquial.


5.    Por que a linguagem coloquial é importante característica do pré-modernismo?

a) As escolas anteriores, sobretudo as que retomavam os modelos clássicos como o Barroco, o Arcadismo e o parnasianismo, veem na linguagem culta uma forma de manter a Literatura como uma arte transcendental, grandiosa, mais próxima das coisas do alto, como Deus, a perfeição, a elite. O pré-modernismo questiona através da linguagem essa ideia de que a arte deva ser para a elite.
b) O pré-modernismo se quer como a representação dos tipos humanos comuns e prosaicos, seus personagens não são os heróis das grandes guerras, nem são os arquétipos para transformação do mundo, eles são as pessoas simples do povo e seus conflitos, pequenos e vulgares, por isso traz a linguagem desse povo e não a língua da elite.
c) O pré-modernismo quer mostrar as incongruências, a diversidade, as multifacetas da realidade brasileira por isso não traz a linguagem padrão que massifica e exclui todos que não dominam essa linguagem.
d) Assim como retrata o universo dos excluídos e dos marginalizados utilizando a linguagem nessa representação, a própria arte pré-modernista passa a ser marginal, ao ser rejeitada por sua linguagem pela elite que não se vê representada, mas criticada e denunciada, assim seus autores são vistos como artistas desajustados ou produtores de uma arte menor.
e) Todas as alternativas demonstram a importância da linguagem coloquial na arte pré-modernista.

- Surgimento, embora o conservadorismo ainda se faça presente, de inovações técnicas na forma de expressão literária.

* importante: por não se tratar de uma escola literária, mas sim um período de transição, as características acima não estão presentes nas obras de todos os escritores pré-modernistas. Cada escritor possui seu próprio estilo e suas próprias temáticas de destaque.



Literatura- Aula 6

Pré-Modernismo 

Vida e obra de Lima Barreto

´Afonso Henriques de Lima Barreto
´ Escritor e jornalista brasileiro.
´ Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881.
´Morreu na cidade do Rio de Janeiro em 1 de novembro de 1922.
´ Filho de pais pobres, ficou órfão de mãe ainda na infância (quando tinha 6 anos).
´ Estudo no Colégio Pedro II (curso secundário) e no curso de Engenharia da Escola Politécnica.
´ Abandonou o curso para trabalhar e sustentar a família. Trabalhou como escrevente coopista na Secretaria de Guerra.
´Para aumentar a renda, escrevia textos para jornais cariocas.
´ Era simpático ao anarquismo e militou na imprensa socialista da época.
´Alcoólatra, teve vários problemas relacionados à depressão. Chegou a ser internado algumas vezes com problemas psiquiátricos
´Abordou em suas obras as grandes injustiças sociais.
´ Fez críticas ao regime político da República Velha.
´  Possuía um estilo literário fora dos padrões da época. Seu estilo era despojado, coloquial e fluente.
´ É um escritor de transição entre o Realismo e o Modernismo. 
Principais obras
´Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909)
´Triste fim de Policarpo Quaresma (1915)
´ Numa e ninfa (1915)
´Os bruzundangas (1923)
´Clara dos Anjos (1948)
´Diário Íntimo (1953)
Avaliação dos seus conhecimentos
Verdade ou Falsidade

´1. Lima Barreto foi um pobre com acesso a educação de elite.
´2. Sua vida não teve o segmento mais tradicional: nascer, crescer, se relacionar, ter filhos e morrer. Podemos afirmar que os seus conflitos pessoais aliados aos conflitos de seu tempo e sua personalidade artista o levaram a uma vida de solidão e tristeza, motivo de seu alcoolismo.
´3. Negro, pobre, alcoólatra e artista eram alguns dos problemas que o faziam um desajustado social, incompreendido e excluído que o conduziram ao sanatório e a morte.
´4. Nas suas obras havia expressão desses conflitos, injustiças e críticas a um mundo que cultua e protege o branco, o rico, o que aparenta o comportamento cultuado pela sociedade de elite.

´5. Muitos estudiosos o consideram realista porque sua obra traz a realidade do Brasil rural. 





ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO AREAL
LITERATURA
ESTUDO DO TEXTO DE LIMA BARRETO

5/1/ 1908
Desde menino eu tenho a mania do suicídio. Aos sete anos, logo depois da morte de minha mãe, quando eu fui acusado injustamente de furto, tive vontade de me matar. Foi desde essa época que eu senti a injustiça da vida, a dor que ela envolve, a incompreensão da minha delicadeza, do meu natural doce e terno; e daí também comecei a respeitar supersticiosamente a honestidade, de modo que as mínimas coisas me parecem grandes crimes e eu fico abalado e sacolejante. Deu-me esse acontecimento, conjuntamente com a vida naturalmente seca e árida dos colégios, uma tristeza sem motivo, que é o fundo de quadro, mas pelo qual passam bacantes em estertores de grande festa. Outra vez que essa vontade me veio foi aos onze anos ou doze, quando fugi do colégio. Armei um laço numa árvore lá do sítio da ilha, mas não me sobrou coragem para me atirar no vazio com ele ao pescoço. Nesse tempo, eu me acreditava inteligente e era talvez isso que me fazia ter medo de dar fim a mim mesmo.
Hoje, quando essa triste vontade me vem, já não é o sentimento da minha inteligência que me impede de consumar o ato: é hábito de viver, é a covardia, é a minha natureza débil e esperançada.
Há dias que essa vontade me acompanha, há dias em que ela me vê dormir e me saúda ao acordar. Estou com vinte e sete anos, tendo feito uma porção de bobagens, sem saber positividamente nada; ignorando se tenho qualidades naturais, escrevendo em explosões, sem dinheiro, sem família, carregado de dificuldades e responsabilidades.
Mas de tudo isso o que mais me amola é sentir que não sou inteligente. Mulato, desorganizado, incompreensível e incompreendido, era  a única coisa que me encheria de satisfação, ser inteligente, muito e muito! A humanidade vive da inteligência, pela inteligência e para a inteligência e eu, inteligente, entraria por força na humanidade, isto é, na grande Humanidade de que quero fazer parte.
Mas não é só não ser inteligente que me abate. Abate-me também não ter amigos e ir perdendo os poucos que tinha. Santos está se afastando, Ribeiro e J. Luís também. Eram os melhores. Carneiro (o Otávio), o egoísta e frio Otávio, está fazendo a sua alta vida, a sua reputação, o seu halo grandioso, e é preciso não me procurar mais. Eu esperava isto tudo; mas não pensei que fosse tão cedo. Resta-me o Pausilipo, este é o único que se parece comigo e que tem o meu fundo, que ele desconhece por completo.
Eu os sabia desse feitio, principalmente o O. C. Ele tinha um lustre, um verniz de independência e desinteresse, de superioridade e de grandeza, mas a vida, a grande vida, a fortuna, as fêmeas e uma esposa assim assim pedem outras coisas muito diferentes: submissão, respeito pelo estabelecido, companhias que não sejam suspeitas, etc.
Eu fico só, só com os meus irmãos e o meu orgulho e as minhas falhas.
Vai me faltando a energia. Já não consigo ler um livro inteiro, já tenho náuseas de tudo, já escrevo com esforço. Só o álcool me dá prazer e me tenta... Oh! Meu Deus! Onde irei parar?
Tenho um livro (trezentas páginas manuscritas), de que falta escrever dois ou três capítulos. Não tenho ânimo de acaba-lo. Sinto-o besta, imbecil, fraco, hesito em publicá-lo, hesito em acaba-lo.
É por isso que me dá gana de matar-me, mas a coragem me falta e me parece que é isso que me tem faltado sempre.

1.      Aos sete anos o autor sente pela primeira vez a vontade de matar-se. Que fato o leva a essa vontade?
a)      Ele era pobre.
b)      Ele perdeu a mãe.
c)      Ele foi acusado de ter furtado algo.
d)      Ele foi descoberto como autor de um furto.
e)      Ele era uma criança-problema.

2.      Que sentimentos passaram a fazer parte de sua personalidade após esse acontecimento?
a)      O sentimento de injustiça
b)      A dor não ser visto como uma pessoa frágil, a delicadeza de sua juventude.
c)      A dor de não ser reconhecido como uma pessoa afetuosa, doce e terna.
d)      A necessidade de mostrar-se honesto e ficar abalado com a situações mínimas em que não cabem a honestidade.
e)      Todas as alternativas demonstram a personalidade do autor.

3.      O autor define o ambiente escolar como: vida naturalmente seca e árida. Que impressões essa definição pode sugerir?
a)      Na sua escola não havia acesso a água.
b)      Sua vida escolar era infrutífera, ele tinha sérios problemas de aprendizagem.
c)      Sua vida escolar era um ambiente sem amigos, sem alegria.
d)      A escola é naturalmente um lugar de sofrimento para todas as pessoas.
e)      N. d.a.



4.      Ele também define a escola como lugar onde passa “bacantes em estertores de grande festa.” Eis a imagem que o autor quis evocar:


A partir dessa imagem que ideia o autor faz dos frequentadores do ambiente escolar (professores, alunos, funcionários, etc)
a)      Que a escola é uma grande orgia.
b)      Que é um ambiente de brincadeiras, sensualidade, depravação, quase infernal.
c)      Que na escola as pessoas se relacionam, se divertem, amam, brincam com sensualidade e prazer.
d)      Que a escola não tem a seriedade e o estudo que deveria ter, é um lugar em que se desvirtua sua utilidade.
e)      N. d. a

5.      Já adulto que atributo o autor gostaria de possuir que o tornaria livre do desejo de matar-se?
a)      Ter dinheiro.
b)       Ser um escritor bem sucedido
c)       Ter uma namorada
d)       Ser casado
e)       Ser inteligente

6.      O autor afirma: Se eu fosse inteligente “entraria por força na humanidade, isto é, na grande Humanidade de que quero fazer parte.” Por isso podemos perceber que ele:
a)      Não se sente humano.
b)      Sente-se sem conhecimento.
c)      Sente-se sem sabedoria.
d)      Sente-se deslocado.
e)      Sente-se excluído.

7.      Sobre os amigos o autor faz algumas afirmações:
I – Os melhores amigos se afastam.
II – Alguns são egoístas e frios
III – Os amigos que lhe restam são iguais a ele, mas não têm consciência dessa igualdade.

Percebemos que:
a)      Os amigos que o rejeita consideram-se classe superior e que não lhes convém a amizade do autor. Mesmo os de sua classe consideram-se superiores.
b)      Os amigos não o rejeita, o autor tem uma visão distorcida dos amigos.
c)      O autor revolta-se com o afastamento dos amigos e não reconhece nenhuma diferença entre eles, por isso não entende o afastamento.
d)      Os amigos tratam bem o autor apesar deste os rejeitar.
e)      O autor detesta seus amigos e por isso não os procura.

8.      Na visão do autor que atributos as mulheres buscam num homem para casar:
a)      Dinheiro para sustentar uma família.
b)      Poder, uma profissão de relevância social
c)      Estudo, reconhecimento intelectual
d)      Respeito às convenções sociais
e)      Honestidade

9.      Sobre sua vida fora do ambiente social ele afirma: “Eu fico só, só com meus irmãos, meu orgulho e minhas falhas.” Podemos afirmar que a solidão do autor é:
a)      Verdadeira, de fato ele não tem ninguém que lhe faça companhia.
b)      Verdadeira, de fato ele não tem ninguém que o ame e o aceite.
c)      Verdadeira, de fato ele é absolutamente incompreendido.
d)      Falsa, ele tem irmãos que acolhem.
e)      Falsa, ele tem o amor dos familiares, mas anseia pelo prestígio social, cujas falhas não permitem conquistar.

10.  Como o autor supre essa carência de aceitação social, esse sentimento de que há falhas que a sociedade não perdoa e por isso o rejeita?
a)      Ele escreve
b)      Ele dedica-se a família
c)      Ele busca cativar os poucos amigos que mesmo percebendo-se diferente ainda o aceitam.
d)      Ele pensa em suicídio
e)      Ele bebe, e tem grande prazer em ceder à tentação, já que não tem coragem de matar-se de uma vez, ele mata-se aos poucos.